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O PROJETO CEDOC VAI À ESCOLA faz parte das ações extramuros do Centro de Documentação Histórica da Fundação Romi, e tem como objetivo difundir e ampliar o acesso ao acervo possibilitando o reconhecimento e a importância da história para o entendimento da sociedade. Essa ação educativa utilizará fotografias, jornais, livros e objetos para explorar a história e a utilização do “TELEFONE” na cidade de Santa Bárbara d'Oeste propondo reflexões sobre o passado e o presente nas suas relações de continuidade e mudanças.

"Meu Deus, isto fala!" A história do telefone em Santa Bárbara d’Oeste

O telefone foi inventado em 1876 pelo escocês Alexander Graham Bell, em Boston, Estados Unidos. A pesquisa de Bell o levou a descoberta de que uma corrente elétrica podia ser alterada de modo a imitar as vibrações produzidas pela voz. E esse foi o princípio do telefone.


Alexander Graham Bell. Acervo: Enciclopédia Britânica

No Brasil, o telefone chegou por meio de D. Pedro II. Os primeiros aparelhos foram um presente de Alexander Graham Bell ao imperador e começaram a funcionar em janeiro de 1877, no Palácio São Cristóvão, hoje, Museu Nacional, no Rio de Janeiro.


Dom Pedro II, 1876. Acervo: Biblioteca Nacional Digital

Em 1891, foi instalado em Santa Bárbara o primeiro telefone na residência de Albino Picada, localizada na rua Santa Bárbara, esquina com a rua Floriano Peixoto. Esse telefone ligava a casa à Estação da Vila de Santa Bárbara, hoje, Estação Ferroviária de Americana. Albino Picada era de origem Portuguesa, além de empreiteiro e fornecedor de dormentes para a Cia. Paulista de Estrada e Ferro.


Estação de Vila Americana. 1900. Acervo: CEDOC Fundação Romi.

As primeiras centrais telefônicas eram manuais. Todas as ligações passavam por uma telefonista da central que fazia a conexão entre as linhas. A tendência dos primeiros aparelhos telefônicos era de acentuar frequências vocais mais altas. Como as vozes femininas eram mais claras o trabalho era executado basicamente por mulheres, para as quais a invenção proporcionou oportunidade de trabalho.


Telefonistas na mesa interurbana, no ano de 1929. Acervo: Museu: MT/OI - Museu das Telecomunicações/Oi Futuro


Do final do século XIX até o início do século XX há noticias de uma empresa telefônica na cidade, mas não foi possível saber quem foi o seu proprietário, o endereço e como funcionava.


Fonte: Jornal O Barbarense, 24/06/1900.

A primeira linha telefônica regular de Santa Bárbara foi concedida a Joaquim Veríssimo de Oliveira, pelo Decreto n.º 2411, de 13 de agosto de 1913, ligando Santa Bárbara às cidades de Campinas e Piracicaba. A partir de então, Joaquim Veríssimo passou a ter direito de uso e exploração, oferecendo aparelhos particulares aos barbarenses.
Acesse a lei: https://bit.ly/2Gghdms


Joaquim Veríssimo de Oliveira.1918. Fonte: Jornal A Verdade 08/10/1918,p.2. https://bit.ly/2RTC7ZV

Em junho de 1930, João da Silva Cristovan adquiriu a empresa telefônica que se localizava na rua Dona Margarida, esquina com a rua General Câmara. Nesta época a Empresa Telefônica Santa Bárbara contava com 12 assinantes. Veja mais informações em https://bit.ly/2DtYTSY

João da Silva Cristovan. Década de 1950. Acervo: CEDOC Fundação Romi.


Em 1953 a empresa possuía aproximadamente 150 assinantes e, quem não dispusesse de aparelhos, poderia fazer suas ligações nas cabines telefônicas que existiam na empresa. As ligações aconteciam das 7h às 22h, horário em que as telefonistas estavam na empresa para efetuarem as chamadas. Em 1958, a empresa atendeu mais de 3.000 ligações interurbanas mensais e os seus postes se espalhavam por todos os cantos da cidade. Veja em Jornal d’Oeste 06/07/1958 https://bit.ly/2texW0W

No período de funcionamento da Empresa Telefônica Santa Bárbara (1930-1960), muitas telefonistas atuaram na empresa e os depoimentos de algumas delas estão registrados no programa “História e Memória” exibido pela TV Cultura de Santa Bárbara em 4 de março de 1998.



Telefonista Maria de Lourdes Mesquita. 1955. Acervo: CEDOC Fundação Romi.


"Quando a chapinha caia você sabia o assinante que estava tocando, então,você tinha que ter guardado na cabeça o número da pessoa. Eram 2 pinos juntos, 2 cordões de pinos". Zuleica Porto da Silva ( ex- telefonista da Empresa Telefônica Santa Bárbara.

"A gente sentava no centro telefônico e já os assinantes tocavam pedindo ligações. Tinha que ser rápida, muito ágil. Você pedia, me liga , por exemplo na Usina Santa Bárbara, (3) , eu pegava outro pino da mesma direção ligava no 3, pronto e ficava na escuta. Tinha que ficar escutando, porque se não ficasse na escuta você parava de falar eu desligava os pinos , ali não havia mais ligação e quando vocês acabavam eu tirava os pinos e fechava as chaves." Maria de Lourdes Graciano Mesquita ( ex- telefonista da Empresa Telefônica Santa Bárbara).


João da Silva Cristovan, sua esposa e filha. Década de 1940. Acervo: CEDOC Fundação Romi.

Com o passar dos anos surgiu a ideia de automatizar as ligações telefônicas, pois havia necessidades que não eram atendidas pelo serviço telefônico em operação como: maior sigilo nas ligações e garantia de flexibilidade nos horários das chamadas. A proposta partiu dos vereadores Zeno Maia e Sérgio Leopoldino Alves e contou com a participação de Américo Emílio Romi.

Em 22 de junho de 1957 realizou-se uma assembleia com o objetivo de propor melhorias nos serviços telefônicos da cidade e assim, foi constituída a TEBASA: Empresa Telefônica Santa Bárbara S.A. com a participação de acionista que investiram para melhorar o serviço na cidade. Confira em: Jornal d’Oeste 28/07/1957 https://bit.ly/2E3CPjw


Reunião de constituição da Telefônica Barbarense S.A. 22/06/1957. Acervo: CEDOC Fundação Romi

Mas, somente em junho de 1959 iniciaram-se as obras de abertura de valetas, confecção de dutos de concreto para passagem dos cabos telefônicos pela rede subterrânea e para a instalação da central de telefones automáticos.

Instalação de cabos telefônicos da empresa Tebasa na Praça Coronel Luiz Alves. Década de 1960. Acervo: CEDOC Fundação Romi.

Em 17 de dezembro de 1960 a Empresa Telefônica Barbarense (TEBASA) foi inaugurada e a partir de então as chamadas locais passaram a ser automáticas, mas o interurbano era feito com o auxílio das telefonistas. Confira as matérias dos jornais da cidade noticiando a inauguração https://bit.ly/2DyFXCu https://bit.ly/2WXcZoI

Inauguração da TEBASA. 17/12/1960. Acervo: CEDOC Fundação Romi.


Em função da mudança no serviço telefônico a TEBASA publicou na imprensa barbarense instruções sobre o uso do telefone automático, para auxiliar as pessoas em suas ligações.
Veja em Jornal d’Oeste, 11/12/1960 https://bit.ly/2MW2a1L



A população da cidade que não possuía a linha telefônica poderia se dirigir até a TEBASA onde existiam cabines telefônicas que serviam ao público em geral.


Manuel Teixeira, Leonel Duarte, Hilda, a telefonista Sonia, a chefe das telefonistas Maria Sacchetto e a telefonista Deolinda Varela. 17/12/1960. Acervo: CEDOC Fundação Romi.

Foi somente em 1974 que foram inaugurados os telefones públicos "orelhões" os quais foram instalados em vários bairros da cidade como: Jardim S. Francisco, Vila Sartori, Vila Oliveira, Jardim Panambi (Fórum), Santa Luzia, Núcleo das casas populares e um centro telefônico.
Confira a noticia em Jornal d’Oeste, 09/03/1974. https://bit.ly/2GespjD





No ano de 1976 a Empresa Telefônica Barbarense S/A-TEBASA teve seu patrimônio incorporado pela TELESP encarregada das comunicações telefônicas no Estado de São Paulo. Como a TEBASA era rentável e funcionava muito bem foi uma das últimas empresas do estado a ter seu patrimônio incorporado pela empresa estatal.
Confira os jornais da época.
Jornal Edição Barbarense, 03/04/1976 https://bit.ly/2I1r3KI
Jornal d’Oeste, 04/04/1976 https://bit.ly/2RReD7C



Os acionistas da TEBASA passaram a ter ações da TELESP e a empresa, em contrapartida, se comprometeu a investir nos serviços de telefonia na cidade e na construção de um novo prédio para a central. Dessa forma, no ano de 1977 a TELESP implementou o serviço de telefonia por DISCAGEM DIRETA A DISTÂNCIA (DDD) possibilitando chamadas interestaduais sem a necessidade de uma telefonista para completá-las.
Confira em Jornal d’Oeste, 05/04/1979 https://bit.ly/2E4wzbu



Em 4 de julho de 1994 a TELESP CELULAR inaugurou o sistema de telefonia celular em Santa Bárbara d’Oeste, em uma cerimônia que aconteceu na prefeitura municipal. Em um primeiro momento disponibilizou 200 linhas, que passaram a operar na região a partir da central telefônica localizada na Zona Leste.


Prefeito José Maria de Araújo Jr. na solenidade de inauguração do sistema de telefonia celular e ruralcel. 04/07/1994. Acervo: CEDOC Fundação Romi.

Diferentemente de hoje, em que a variedade de modelos de celular chega aos milhares, a oferta de modelos de celular em 1994 não passava de sete. Um dos mais conhecidos da época, o Motorola Microtac, ficou popularmente conhecido como “Tijolão”, por conta do seu tamanho e rigidez.


Em julho de 1998 a telefonia móvel no país foi privatizada, e a TELESP foi vendida para empresa espanhola Telefónica S.A., conhecida hoje como Vivo.



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