A inauguração das estações férreas dos dois bairros, em 29 de julho de 1922, marca a fundação dos lugarejos por dois imigrantes italianos: Antonio Angolini e José Basso.
Imigrantes italianos fundam Caiubi e Tupi
Muitos italianos em busca de uma vida melhor no Brasil deixaram sua terra natal, no final do século 19. Os navios com destino a Santos vinham repletos de pessoas com muitos sonhos e esperanças na bagagem, incentivados pelos cafeicultores paulistas. No Brasil, com suas economias guardadas muitos adquiriram sua própria terra e ajudaram no desenvolvimento de muitas regiões, principalmente do interior paulista, como foi o caso do Caiubi e Tupi. Os bairros foram fundados em 29 de julho de 1922 por dois imigrantes italianos: Antonio Angolini e José Basso, com a inauguração das estações ferroviárias que deu início aos lugarejos.
Os dois trabalharam muito junto aos sitiantes para que permitissem a passagem da ferrovia e também conseguiram a doação de terras para a instalação das estações. As estações marcaram a inauguração dos bairros, mas a região muito antes já era povoada: primeiramente habitada por índios, pois existem provas que a região a mais de mil anos era habitada por esses sílvicolas e depois por diversas famílias. É importante chamar a atenção dos moradores da região para que qualquer pedaço de pedra trabalhada, como ponta de flechas, machados e potes de barro, que ainda poderão ser encontrados na região, sejam encaminhados para o Núcleo de Educação Ambiental "Fioravante Luiz Angolini", localizado no Caiubi ou para a própria Fundação Romi, pela importância histórica que possuem.
A região mais alta do Caiubi, onde hoje há o Vale das Cigarras e o Jardim Paraíso era conhecida como Bairro dos Barbosas, mas mesmo próximo do Núcleo Caiubi havia vestígios de uma antiga represa, que foi construída pelos escravos, no Rio Alambari. A represa tocava um moinho de fubá, de uma provável fazenda.
Segundo Antonio Carlos Angolini, historiador da Fundação Romi e neto de Antonio Angolini, o Caiubi é um dos bairros mais antigo de Santa Bárbara d’Oeste, pois o outro bairro tradicional o Santo Antonio do Sapezeiro, foi criado a partir de 1.900. "Esta região já era conhecida desde 1.810, havia uma estrada que ligava Piracicaba a Campinas, que vinha margeando o Rio Piracicaba. Praticamente, esta estrada é a rua principal do Cruzeiro do Sul hoje."
Vida de Antonio Angolini
O imigrante italiano Antonio Angolini nasceu em Régio Emília, região muito próspera na Itália. Com Pietro Bevilacqua e Regina Cattuzato, embarca ao Brasil, com menos de 18 anos, por isso, o seu nome consta no passaporte de Pietro, por não ter nem o seu próprio passaporte. No país, vai morar em Campinas e com o tempo Antonio Angolini acaba casando-se com Luiza filha do casal benfeitor, que o trouxe para cá. Em Campinas, o casal Antonio Angolini e Luiza começam a fazer economias e com o dinheiro guardado compram o sítio Pinheirinho, onde hoje é o chacreamento Pinheiro e mudam-se para a região do Caiubi. Nesta região, já morava Catarina, que era irmã de Regina Cattuzato e tia de Luiza, com seu marido Nicolau Furlan. O casal morava próximo de onde hoje é o Rancho da Costela. Catarina era parteira e incentivou a vinda de seus parentes para a região.
No Pinheiro, o casal de imigrantes italianos monta o primeiro armazém. E por volta de 1919, Antonio Angolini toma conhecimento da passagem da ferrovia, assim vende o seu sítio e compra terras no bairro dos Barbosas. No local, monta outro armazém e também promove a construção da Capela de São Sebastião, onde havia uma santa cruz, que costumavam fazer suas orações.
Início do núcleo do bairro
Já em 1922, na parte baixa da região, em 29 de julho, é inaugurada a estação férrea, onde hoje é a Praça Antonio Angolini. A estação recebe o nome de Caiubi, que em tupi guarani quer dizer Folha Azul. Com a inauguração da estação férrea o núcleo Caiubi começa a consolidar-se.
No núcleo, Antonio Angolini constrói a primeira casa e armazém para o seu filho Fioravante Luiz Angolini, que já era casado com Anna Rosa Tuchapske, os primeiros moradores do lugarejo. A região foi muita próspera teve açougue, dentista, ferreiro, escola rural e até banda de música. Nos finais de semana, a região como atualmente, recebia muitos visitantes, que passavam o dia no local. Havia uma balsa que fazia a travessia do rio Piracicaba entre Santa Bárbara e Limeira, muito procurada pelos visitantes.
O historiador Antonio Carlos Angolini, lembrou que na época da inauguração da estação, toda a região a margem esquerda do Rio Alambari pertencia a Piracicaba. Somente depois de muitos anos de luta, principalmente de Fioravante Luiz Angolini, que essa região passou a pertencer ao território barbarense.
Já em 1933, Antonio Angolini, constrói uma pequena represa e inaugura um gerador, que produzia energia elétrica para sua casa, para o armazém do seu filho e para a estação, que contava com uma lâmpada. Somente na administração do prefeito Dirceu Dias Carneiro que será inaugurada a energia elétrica para o bairro.
Na administração do prefeito Isaías Hermínio Romano, em comemoração aos 70 anos do bairro, foi construída uma praça no pátio da antiga estação, que recebeu o nome de Antonio Angolini, em homenagem ao fundador do bairro. A praça deveria ter sido inaugurada no dia 29 de julho, em razão das comemorações de aniversário do bairro, mas em virtude da greve dos funcionários públicos, a inauguração foi feita no dia 15 de agosto de 1992.
Escola
Antonio Angolini primeiramente monta uma escola pequena perto da Capela de São Sebastião, mas tarde esta escola é transferida para o núcleo Caiubi, é funcionou onde hoje será o restaurante da Festa, depois Fioravante Luiz Angolini doa terras e constrói as duas primeiras salas, onde hoje é o Núcleo de Educação Ambiental. A escola rural no Núcleo de Educação Ambiental funcionou até os anos 80, mas com a construção no Cruzeiro do Sul de um prédio maior a escola rural é transferida para o local. A escola municipal do Cruzeiro do Sul recebe o nome de "Anália de Lucca Furlan", em homenagem a matriarca da família Furlan, que loteou a região. Já o curso estadual permanece Fioravante Luiz Angolini.
Início do interesse pela história
Segundo Antonio Carlos Angolini, existia um programa de rádio na administração do prefeito José Maria de Araújo Júnior, que tratava um pouco de história, feito por Antonio Ovaguir Martorini, aos domingos, denominado de "Matando Saudades". Este programa, no final de março e em abril de 1988, abordou a história do Caiubi, assim quando o historiador tomou conhecimento das pesquisas feitas por Martorini para o programa, ficou motivado e deu continuidade ao trabalho. "Eu não posso furtar de reconhecer que toda esta pesquisa de hoje veio dos primeiros programas de Martorini. A partir disso, comecei a trabalhar com o levantamento de dados do Caiubi, reconhecendo sempre a importância das primeiras pesquisas", informou.













