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Um carro com alma feminista

No mundo dos anos 50, Brasil incluído, as mulheres não haviam ainda conquistado muitos dos direitos básicos que fazem parte do dia-a-dia atual. Dirigir era para homens. Carros eram masculinos demais, grandes demais, pesados demais: quem os projetava entendia que o lugar das mulheres deveria ser no lado do passageiro. Mas, diferentemente dos demais, o Romi-Isetta era gracioso, leve e fácil para dirigir. A direção era dócil; as trocas de marchas, suaves. A embreagem leve e a ampla visibilidade, aliados ao bom desempenho, conforto e facilidade para estacionar representavam um convite para dirigir. Assim, com o surgimento do Romi-Isetta, ficou claro para elas que "carros podiam ser coisa de mulher, sim senhor!"

A Romi havia notado essa faceta do caráter do Romi-Isetta e, percebendo as crescentes demandas femininas por maior autonomia, igualdade e liberdade, tomou a atitude social e comercialmente arrojada de endereçar grande parte da publicidade e ações comerciais ao público feminino. Dizia uma das peças:

"Agora sou livre, o Romi-Isetta é o carro que faltava para meu transporte às compras, visitas e passeios"

Em outra publicidade, o texto afirmava que "Você ficará maravilhada ao dirigir um Romi-Isetta." Em pouco tempo, o carro se tornou uma constante nas mãos de mulheres. Grandes formadoras de opinião, como artistas do cinema, TV e rádio eram vistas circulando ao volante de seus Romi-Isettas - cenas muitas vezes registradas pelas colunas sociais:

"Nunca o Romi-Isetta foi tão heráldica carruagem quanto na tarde em que Cecília Matarazzo Braga, com um lenço multicor sobre os cabelos, guiava um através da avenida Nove de Julho", escreveu Tavares de Miranda.

Concursos premiavam com Romi-Isetta a "Mais bela esportista". Foram organizadas corridas de Romi-Isettas exclusivamente para mulheres, que provaram àquela sociedade a plena capacidade feminina na condução de automóveis - incluindo as competições.

 
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