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Um esportista nato

As notáveis características de estabilidade e comportamento do Romi-Isetta logo o levaram a seu uso esportivo, em competições. Em 1954, a Iso inscreveu dois exemplares para participar da conhecida e dura prova italiana chamada Mille Miglia (Mil Milhas), que atravessa regiões montanhosas daquele país. A notável média alcançada, de 79 km/h - apenas 6 km/h inferior à velocidade máxima do carro - foi mais elevada que a média obtida pelo OM, vencedor da primeira edição da prova.

O comportamento do carro, considerado pela imprensa especializada da época como exemplar, é obtido pela já citada distribuição da massa, auxiliada pelo uso de suspensões dianteiras independentes, que acompanham o movimento das rodas - mantendo a geometria das suspensões otimizada durante a tomada de curvas.

Os resultados e publicidade obtidos na Mille Miglia certamente influenciaram os corredores brasileiros a testar o Romi-Isetta. De fato, uma das atividades promovidas pelo Clube dos Proprietários de Romi-Isetta eram as competições esportivas.

Entre os primeiros que se renderam ao espírito esportivo do carro, estava Arthur Torula, acostumado a pilotar carros da Alfa Romeo, e que fez uma viagem de Belo Horizonte a São Paulo em catorze horas, via Rio de Janeiro (a rodovia Fernão Dias ainda não existia) gastando apenas 35 litros de gasolina. Foi criada uma categoria voltada para carros de 250 cc, na qual participavam também João Pacheco Fernandes, Anselmo Duarte, Alberto Ruschel, Adalberto Clemente, Emilio Comino - este último um conhecido preparador de carros de competição, e cuja empresa era uma Oficina Autorizada Romi-Isetta.

A Gazeta Esportiva descreveu uma das corridas em Interlagos como um "espetáculo raro a largada, quando os dez carros saíram em direção à primeira curva em ‘bolo', proporcionando um aspecto original e pitoresco que chegou a provocar murmúrios de espanto e expectativa entre a assistência".

Provas de aceleração seriam realizadas no aeroporto de Cumbica, ainda uma base aérea militar. Outras provas incluíram disputadas subidas de montanha, realizadas no Caminho do Mar, um sinuoso e íngreme percurso de 7,2 km.

As provas em Interlagos eram disputadas regularmente, sem dificuldades mecânicas e com alto índice de segurança, onde os carros obtinham a média de noventa quilômetros por hora. Outros nomes que se destacavam eram Eduardo Ardinghi, Álvaro Andrade, Silvio Amaral L. Júnior, Silvano Pozzi - este, mais um conhecido preparador de automóveis de competição. Pozzi e Comino também construíram um monoposto baseado no Romi-Isetta.

 
Continue lendo: Maiores performances: o Romi-Isetta 300 de Luxe



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