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Uma função social da EscolaDia: 24/07
Uma função social da Escola Ninguém discute que uma das funções sociais da escola é preparar o cidadão para o exercício pleno da cidadania vivendo como profissional e cidadão. E para a consecução desse objetivo não basta somente passar a ele as regras da convivência social, transmitir-lhe os conhecimentos socialmente construídos e ajudá-lo a acomodar-se a um grupo e viver dentro do espaço social estabelecido. O papel da escola nesse sentido vai além disso, a escola tem que preparar atores transformadores de sociedade. Dentro dessa concepção, Vasco Pedro Moretto formula o princípio: “Uma função social da escola: ajudar a formar gerentes de informação e não meros acumuladores de dados”. Vamos analisar cada componente da afirmação: 1. Função social - A escola é uma das muitas estruturas que visa, explicitamente, à socialização do sujeito. Existe uma realidade construída, isto é, um conjunto de conhecimentos estabelecidos, estruturados, institucionalizados e legitimados por um determinado grupo social. Para viver nele, ele precisa dar significado ao universo simbólico de sua sociedade. Essa socialização se dá em duas etapas: socialização primária e socialização secundária. Em síntese, usando o método dialético o professor funciona como um questionador, um provocador buscando a negociação para a elaboração da síntese. Essa negociação é conseguida através da linguagem, através das representações de cada uma das partes em seu contexto. Nunca se pode dizer que “as verdades” estabelecidas não podem ser negociadas. O que se negociam são as representações relativas a essa verdade. A escola nem sempre optou pelo método dialético no processo de ensino. Na verdade, as teses dos alunos eram simplesmente ignorados pelo professor, pois este tinha a verdade, que seria transmitida ao aluno que tinha a obrigação de aprendê-la e depois repeti-la numa prova exatamente como havia sido ensinada. Sabemos, que quando o professor não usa uma metodologia dialética, o que pode ocorrer é o fenômeno da justaposição. 3....gerentes de informações e não meros acumuladores de dados Por essa razão, a função do sujeito é muito mais no sentido de ser o gerente desses dados. Quais seriam as funções do gerente? A ele cabe detectar uma situação-problema, analisá-la e tomar uma decisão em busca de uma solução. Nessa sua tarefa o gerente aborda sempre os aspectos técnicos, os sociais, os políticos e os éticos. É nesse sentido que enfocamos o papel da escola hoje e que se diferencia do papel da escola de há alguns anos. O papel dos conteúdos Há escolas que privilegiam conteúdos e são chamadas “tradicionais” e outras que reduzindo-os, quantitativamente, ao mínimo, priorizam “ o fazer” dos alunos. Conteúdos factuais e conceituais Por conteúdos factuais compreendemos os conhecimentos relativos a fatos, acontecimentos, situações, fenômenos socialmente construídos e diretamente observáveis etc. A importância dos conteúdos factuais está na constituição do contexto em que uma situação complexa será abordada. Conteúdos procedimentais Antoni ZABALA (1998) apresenta com bastante clareza o que se entende por conteúdos procedimentais: “Um conteúdo procedimental - que inclui entre outras coisas as regras, as técnicas, os métodos, as destrezas ou habilidades, as estratégias, os procedimentos - é um conjunto de ações ordenadas e com um fim, quer dizer, dirigidas para a realização de um objetivo. São conteúdos procedimentais: ler, desenhar, observar, calcular, classificar, traduzir, recortar, saltar, espetar etc.” (p.43) Conteúdos atitudinais A escola forma para a vida e para a vivência plena da cidadania. Nessa afirmação está embutida a idéia de formação para os valores, como o respeito, a solidariedade, a responsabilidade, a honestidade, etc. Os Parâmetros Curriculares Nacionais propõem os temas transversais como elementos que objetivam a formação para a cidadania. Esse objetivo é assim expresso: “Compreender a cidadania como participação social, assim como exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais, adotando, no dia-dia-dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito” (p. 7) Eficácia e eficiência na avaliação da aprendizagem No contexto deste trabalho, a avaliação é eficaz quando o objetivo proposto pelo professor foi alcançado. Por exemplo, se o professor traçou como objetivo os alunos nomearem todos os afluentes da margem direita do rio Amazonas, ou classificar todas as orações subordinadas adverbiais reduzidas e o aluno foi capaz de cumprir a determinação, pode-se afirmar que a avaliação foi eficaz, pois ela atingiu o objetivo proposto. No entanto, a eficiência foi pouca se considerarmos que estes conhecimentos não são relevantes no contexto dos alunos e o processo de aprendizagem não foi racional, pois aprenderam “de cor” e/ou de forma isolada. Algumas características das provas na linha tradicional a) Exploração exagerada da memorização. Exemplo - os famosos “questionários” Outra forma de perguntar:
Características das provas na perspectiva construtivista a) Contextualização O texto deve servir de contexto e não de pretexto. Para melhor compreender o assunto examinemos algumas questões mal contextualizadas e outras com um bom contexto. Questão Carlos Lima:“Não acho que eu mereça ser punido. Não me sinto culpado, foi uma fatalidade”. (A Gazeta, 10 de setembro de 1998) O exame etílico de Carlos G. Lima..., revelou estado de “embriaguez com ressalva” no dia do acidente. Comentário As “chamadas” dos jornais constituem um ótimo contexto para orientar a reflexão do aluno. A exploração da questão foi pobre. O que poderia ter sido explorado era a incompatibilidade entre bebida alcoólica e o volante. Poderia ter solicitado ao aluno uma opinião pessoal sobre a culpabilidade, ou não, de Carlos Lima, etc. se o objetivo do professor era só avaliar conhecimentos específicos de química, não havia necessidade nenhuma do contexto. b) Parametrização - A parametrização é a indicação clara e precisa dos critérios de correção. Por exemplo, “ Disserte sobre ditaduras e democracias” é uma questão sem parâmetros para correção, enquanto “ Escreva quatro substantivos próprios que iniciam com vogal” é um exemplo de questão parametrizada. Concluindo, vimos que o conceito de competência trata da capacidade do sujeito de abordar situações complexas e preparar a avaliação é uma das muitas situações complexas que o professor aborda em sua missão de educador, principalmente num momento em que a escola passa por uma transformação. Portanto, colega, vamos transformar a prova “num momento privilegiado de estudo e não um acerto de contas” como nos aconselha Vasco Pedro Moretto em seus livros citados abaixo. Referência Bibliográfica Moretto, Vasco Pedro. Prova - um momento privilegiado de estudo - não um acerto de contas. Rio de Janeiro: DP&A, 2001 |
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