Encontro de Educadores

OFICINA 8 - CONTANDO HISTÓRIAS

Profa. Sílvia Helena Azanha Araújo

sazanha@fundacaoromi.org.br

“As pessoas estão descobrindo que é possível buscar nas histórias o significado da vida, o significado do mundo de hoje. O que interessa é o movimento interno que as histórias causam nas pessoas. É o poder de dialogar com a alma das pessoas.”

INTRODUÇÃO

Contar histórias para crianças é sustentar o imaginário, é ter a curiosidade respondida em relação a muitas perguntas, é encontrar idéias para solucionar questões.
É ouvindo histórias que se pode sentir emoções importantes como tristeza, a raiva, a irritação, o bem estar, o medo, a alegria, a insegurança, vivendo profundamente tudo o que as narrativas provocam em quem as ouve.
Há muitos estudos tentando desvendar o motivo da atração que os contos exercem até mesmo nos adultos. Alguns psicanalistas dizem que é porque eles permitem um mergulho dentro de nós mesmos através dos arquétipos presentes na história. Seria  como se o conto nos propiciasse uma auto-análise, um modo de encarar nosso Eu secreto, nossos medos, traumas e receios. Inclusive há terapeutas que se utilizam da linguagem figurada dos contos para tratar de traumas infantis.
Enfim, contar histórias é uma arte mágica!

  • A criança deve ser estimulada desde pequena pelo gosto da leitura, pois é até os sete anos de idade que ela forma este gosto pela leitura.
  • Não importa que a criança não saiba ainda fazer a leitura de um livro, pois o professor deve ler e assim dar esta referência de leitura para ela.
  • É preciso tornar as crianças familiarizadas com os livros, orientando-as quanto ao manuseio e à sua conservação.
  • Pais e professores que lêem livros e contam histórias para as crianças estão contribuindo para terem futuros leitores.

OBJETIVO

  • Despertar na criança a curiosidade sobre os assuntos das histórias;
  • Conquistar e trabalhar a atenção do seu ouvinte;
  • Desenvolver a habilidade de expressar idéias com desembaraço e originalidade, desinibindo assim as crianças;
  • Deixar que cada criança interprete a história da sua maneira e tire suas próprias conclusões, sem dar explicações;
  • Possibilitar a busca de soluções para sua dificuldades e problemas interiores;
  • Mostrar à criança, através dos personagens, os dois lados existentes: o bem e o mal;
  • Fazer com que a criança reflita, associe e identifique-se com personagens;
  • Saiba contar também à outras pessoas a história escutada;
  • Proporcionar à criança uma viagem ao mundo das histórias, alimentando sua imaginação e satisfazendo seus desejos e fantasias;
  • Aliviar suas ansiedades e medos;
  • Formar na criança o prazer de escutar muitas histórias;
  • Estimular seu gosto pela leitura desde cedo, e assim torná-lo um futuro leitor.

QUE HISTÓRIA CONTAR?

  • Pode-se contar qualquer uma à criança, desde que ela seja bem conhecida por quem vai contar.
  • Uma boa história agrada a todo mundo, mas é preciso levar em conta a faixa etária das crianças:
  • crianças até 3 anos, geralmente gostam das que tratam de bichos, brinquedos e objetos, com personagens da vida real: papai, mamãe, vovó, vovô, irmãos;
  • crianças de 3 a 6 anos, gostam também das histórias da fase anterior e histórias de fadas, histórias de crianças;

Para crianças mais velhas:

  • aos 7 anos: histórias de crianças, animais e encantamento, de aventuras no ambiente próximo (família, comunidade), de fadas;
  • aos 8 anos: história de fadas com enredo mais elaborado e humorísticas;
  • aos 9 anos: histórias de fadas e vinculadas à vida real;
  • aos 10 anos ou mais: histórias de aventuras, narrativas de viagens, de explorações, de invenções, fábulas, contos, mitos e lendas.

Abramovich nos diz que é muito importante que a história desperte alguma coisa em quem vai contar: ou porque ela é bela e divertida, ou porque tem uma boa trama, ou porque dá margem para explorar um assunto ou por que acalma uma aflição...

COM QUE FREQÜÊNCIA DEVEMOS CONTAR HISTÓRIAS?

  • É muito importante que esse tipo de atividade seja uma rotina.
  • Não necessariamente um livro, uma história por dia, pois a crianças costumas eleger algumas histórias como favoritas e pedem para contar ou ler repetidas vezes.

COMO, ENTÃO, CONTAR HISTÓRIAS?

Algumas estratégias:

  • Certifique-se de que ninguém, incluindo você, esteja  com uma necessidade pendente (fome, sede, vontade de ir ao banheiro);
  • Dirija a palavra a todos, olhe nos olhos de cada um;
  • Posição do professor ou do contador:
  • É conveniente que todas as crianças tenham acesso a quem está contando e aos objetos, livros, bonecos, fantoches que estão sendo manipulados, etc.
  • Gesticule o máximo possível, pois isso aumenta a atenção da platéia;
  • Se possível, conte histórias ao ar livre, usando a natureza como referencial;
  • Conte histórias da maneira mais descontraída possível. O sorriso melhora cada vez mais as relações humanas.
  • Sua voz é a sua ferramenta mais importante, as emoções se transmitem através dela.

    Deve-se:
     
  • Sussurrar quando a personagem fala baixinho ou está pensando em algo importante;
  • Levantar a voz quando uma algazarra aparece na história;
  • Falar de mansinho quando a ação é calma;
  • Dar pausas quando uma coisa importante vai acontecer - E de repente...
  • Coloque energia nas suas palavras. É desanimador ouvir um discurso monótono e sem emoção;
  • Um simples “levantar de sobrancelhas” ou um “encolher de ombros”, podem freqüentemente expressar mais que palavras;
  • É muito importante o uso de acessórios na transformação da pessoa em contador de histórias, e essa transformação ajuda na desinibição.
  • Use cortinas e acessórios, para criar o “clima”.
    Adereços, roupas, fantasias ou algo que faça barulho podem também ajudar a manter a atenção de seu público.
  • Viva sua história, de maneira que os personagens e o cenário se tornem tão reais quanto as pessoas e os lugares que você conhece;
  • Visualize a história: imagine sons, sabores, cheiros, cores. Somente quando você vivencia a história, se insere no contexto emocional é que será capaz de transmiti-la aos seus ouvintes.
  • Pratique a história: no espelho, com seu gato, cachorro, com amigos ou alguém que queira ouvi-lo.

CURIOSIDADE

Psicólogos e comunicadores afirmam que as pessoas guardam 20% do que ouvem, 40% do que vêem e 60% do que vêem e ouvem ao mesmo tempo. Por isso em qualquer aprendizagem proposta à criança, o adulto deve procurar ilustrações para facilitar sua apreensão e retenção (gravuras, objetos, fotos, etc.)
Virar um contador de histórias é fácil, eu acho. Precisamos apenas desse amor pelos contos. Daí para começar a contá-los é rapidinho.
É só contar, contar, contar e contar!!!

CONCLUSÃO

Quando você terminar de contar a história - PARE!
Deixe que o pensamento de seu público “viaje”.
Não pense que você tem que explicar alguma coisa ao final da história.
Deixe-os ir embora, pensando sobre o que foi dito e que tirem suas próprias conclusões, seus significados.

FINALMENTE...E O MAIS IMPORTANTE

Quanto mais você praticar, mais hábil você se tornará.
Não tenha medo de tentar métodos diferentes de contar histórias.
Seja criativo!
Você aprende com suas experiências.
E quem quiser, que conte outra!!!


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