PROJETO IDI-UM  |  CMDCA-SBO  |  
Pesquisa o IDI-UM apresenta um retrato da Infância de Santa Bárbara

Santa Bárbara d'Oeste realizou, pela primeira vez, uma pesquisa para traçar um panorama da situação da primeira infância no município. Foram feitas 9.460 entrevistas com pais, ou responsáveis, de crianças menores de 5 anos. A pesquisa chamada de I Censo da Primeira Infância de Santa Bárbara d'Oeste traz dados sobre Saúde, Educação e registro civil.O Censo é uma realização do Projeto IDI-Um, um projeto comunitário, lançado no ano passado que tem como objetivo melhorar o nível do desenvolvimento infantil na cidade. Fazem parte do projeto a Fundação Romi, a Pastoral da Criança, o CIESP Santa Bárbara, Unimep - Universidade Metodista de Piracicaba, Instituto DESS, UNIMED Santa Bárbara e Americana, e as Secretarias municipais de Educação e Saúde.

No Brasil, todos os anos mais de 100 mil crianças não completam o seu primeiro ano de vida. Entre 2 mil e 3,5 mil mães morrem das conseqüências da falta de atendimento de qualidade durante a gravidez, o parto e o pós-parto. Segundo a pesquisa, em Santa Bárbara d'Oeste, 92 % das mães das crianças de 0 a 5 anos, quando gestantes, receberam atendimento pré-natal, sendo que 81% do total de mães fizeram a primeira consulta no primeiro trimestre da gravidez e 87,75 % pelo menos 6 consultas antes do parto, quantidade de consultas e período considerados adequados segundo a Organização Mundial de Saúde. Quanto ao nascimento, 99% dos partos foram feitos no hospital com uma taxa de cesariana de 60%, 7% acima da média do estado de São Paulo. Apesar da quase totalidade de partos hospitalares, 96 % declararam ter recebido atendimento médico durante o parto.

Entre as crianças pesquisadas, 97,63% retornaram ao médico para consulta de puericultura após o parto e 85% receberam orientação sobre a alimentação. Entretanto, apenas 55 % das crianças foram amamentadas por pelo menos 6 meses, considerado tempo mínimo necessário. Segundo o UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, se todos os bebês fossem exclusivamente amamentados durante os seis primeiros meses de vida, aproximadamente, 1,3 milhão de crianças teriam sua vida salva a cada ano, enquanto a saúde e o desenvolvimento de outros milhares apresentariam significativa melhora.

Quanto à vacinação no primeiro ano de vida, outro fator investigado pela pesquisa, 94% das crianças abordadas pelo Censo, estavam com as vacinas em dia, os maiores índices de atraso, foram, respectivamente, 1,46 % e 1,09%, nas vacinas Sabin (poliomielite) e Tetravalente (difteria, tétano, coqueluche e hemófilo).

Na área de educação, os dados da pesquisa projetados para a população total de crianças de 0 a 5 anos, constantes no Censo 2000 - IBGE, mostraram que das crianças que não estão na escola, 54% não procuraram vaga nas instituições de educação infantil e 8% procurou pelas instituições, mas não achou vaga, representando um déficit de atendimento à procura de 1132 vagas. A Educação Infantil compreende as crianças de 0 a 6 anos de idade e está subdividida entre creche (0 a 3 anos) e pré-escola (4 a 6 anos). No Brasil , segundo o Relatório da Situação da Infância Brasileira (UNICEF,2003), 38,6% das crianças de 4 a 6 anos de idade estão fora da escola.

Em 70 % dos casos quem cuida a maior parte do tempo da maioria das crianças é a mãe e em 15 % são cuidadas pelas avós. Entre as mães, 63 % declararam ter 8 anos ou mais de escolaridade, enquanto 6 % das mães têm menos de 4 anos de escolaridade, fator que interfere negativamente no desenvolvimento da criança. Em 2001, o Brasil ocupava o 92o. posto do ranking da taxa de mortalidade infantil entre os 189 países avaliados pelo UNICEF. Segundo o fundo, o nível educacional da mãe representa um forte impacto na taxa de mortalidade dos menores de 5 anos. No Brasil, o índice de mortalidade em mães com pelo menos 8 anos de estudo é de 30,4%. Entre mães com até 4 anos de estudo, esse valor aumenta para 93%

O registro civil e a primeira via da certidão de nascimento são gratuitos para todas as crianças no Brasil e devem ser feitos logo após o nascimento. O IBGE estima que no ano 2000, uma média de 21,3 em cada mil crianças brasileiras, de até um ano de idade, não possuíam registro de nascimento. Em Santa Bárbara 99,42% das crianças pesquisadas já possuíam registro civil.

Metodologia eficiente e de baixo custo

A coleta de dados foi feita no dia 05 de junho durante a primeira etapa da campanha de vacinação contra poliomielite. Trabalharam na ação mais de 200 pessoas a maioria estudantes, que participaram como recenseadores voluntários. Foram validados 9.460 questionários, o que representou 81% das crianças que foram aos postos de vacinação no dia da campanha. A população total na faixa etária, segundo o IBGE, é em torno de 13.900 crianças.

O método coletar de informações no dia de vacinação, não é inédito, já foi utilizado por alguns municípios em pesquisas sobre aleitamento materno, mas sempre apenas com uma amostra da população e não na forma de censo, onde toda a população é pesquisada. A utilização dessa estratégia possibilitou que a pesquisa fosse realizada em tempo recorde, a coleta de dados foi feita em apenas um dia, o desenvolvimento do sistema de processamento dos dados e a tabulação em 3 meses, otimizando os custos do projeto.O sistema de processamento dos dados foi desenvolvido por uma empresa de Santa Bárbara e a digitação dos dados foi feita, também, voluntariamente, por alunos do Núcleo de Educação Integrada da Fundação Romi.

A pesquisa tem o intuito de identificar as prioridades do município para essa faixa etária e
estabelecer uma base de informações. Este ano os números mais preocupantes são quanto ao aleitamento materno e o percentual de cesárias. A intenção do grupo é repetir a pesquisa todos os anos para monitorar os indicadores da Primeira Infância, além de estabelecer e acompanhar metas. Conhecer a realidade e tornar a informação acessível à sociedade é construir um instrumento de maior transparência e diálogo entre sociedade e poder público.


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